Convívios Fraternos

2009/04/25

Regulamento da Festa/Sarau 2009 do Movimento dos Convívios Fraternos


1. Organização
1.1. - A Igreja não está ausente dos movimentos urbanos do Séc XXI. A vocação Profética da Igreja implica que os seus membros devem anunciar o Evangelho, denunciar as situações que ofendem a dignidade do Homem e comprometer-se na resolução dos problemas do Homem e do Mundo.
1.2 - A Música e outras expressões artísticas contribuem para o exercício dessa vocação.
1.3 - A Música Rap e toda a Cultura Urbana a ela associada dos finais do Séc. XX e inícios do Séc. XXI são tendências que ganharam adeptos em todo o mundo, como voz de um Mundo cujos habitantes são cada vez mais citadinos.
1.4. - A Festa da Canção do Movimento dos Convívios Fraternos de 2009, terá como enquadramento esta mesma cultura urbana, dando-lhe um cunho cristão
1.5. - A Festa da Canção do Movimento dos Convívios Fraternos terá lugar no Centro Paulo VI, em Fátima, na noite de 5 de Setembro de 2009.São objectivos desta Festa:- incentivar a criação poético-musical como expressão da fé cristã, no cumprimento das orientações expressas no Concílio Vaticano II;- promover a canção cristã como instrumento de evangelização;- possibilitar o encontro dos jovens dos Convívios Fraternos num ambiente de são convívio e de partilha.

2. - Participantes
2.1. - Os elementos dos grupos, incluindo autores da letra e da música, deverão ter, obrigatoriamente, realizado um Convívio Fraterno. Poderão, no entanto, integrar os Grupos elementos jovens que ainda não tenham passado por essa experiência.
2.2. - Cada Diocese poderá apresentar até 2 Grupos como Participação

3. - Condições de participação
3.1. - As canções deverão ser total ou parcialmente em RAP
3.2. - As canções, como as músicas e letras concorrentes ao Festival terão de ser inéditas, de temática cristã e subordinadas ao tema “OS PUROS DE CORAÇÃO VERÃO A DEUS”, tema do Encontro Nacional de 2009.
3.3. - O número de participantes em cada grupo deverá estar limitado a 10.
3.4. - O tempo de duração das canções não pode ultrapassar, na sua execução, o limite máximo de 4 minutos e o limite mínimo de 2 minutos e 30 segundos.
3.5. - O acompanhamento musical é da responsabilidade dos grupos a concurso. Não será permitido o uso de instrumentos que pelas suas características ou dimensões impliquem montagem, transporte especializado ou afinações complexas no local ou tenham que permanecer no palco durante a Festa.
3.6. - As músicas poderão ser coreografadas. No entanto o tempo da coreografia contará para o tempo da música e deverá esta ser integrada na execução da canção.
3.7. - Deverá ser entregue, de forma atempada, um original (letra e música e gravação) à Organização. Estes materiais poderão ser entregues via correio ou por e-mail (para a direcção
arturmmferreira@gmail.com e para ajalexandre@gmail.com)
3.8. - Ao participar, os grupos e autores aceitam tacitamente a transferência de todos os direitos de autor inerentes às peças para o Movimento dos Convívios Fraternos

4. - Apresentação
4.1. - Deverão se entregues ou enviados até 14 de Agosto de 2009:
4.1.1. - Os originais que deverão incluir:
- um exemplar dactilografado da letra da canção, em folha A4, com referência no canto superior direito aos respectivos autores da letra e da música;
-
o nome do grupo (se existir)
- os nomes dos autores
- os nomes dos participantes
- um pequeno texto introdutório sobre a música
- o nome do elemento da diocese a integrar o júri

5. - Da Festa
5.1. - O material sonoro (amplificadores, colunas, microfones, etc) ficará a cargo da organização, pelo que os concorrentes estão impossibilitados de levar o material próprio.
5.2. - Os grupos concorrentes terão a possibilidade de testar o material entre as 9.00 e as 14.30h do dia 5 de Setembro de 2009, no Centro Paulo VI. Em caso de não comparência a este ensaio, a organização não se responsabiliza por qualquer tipo de problemas de som decorridos durante a Festa.

6. - Da Votação
6.1. - A votação das músicas estará a cargo de um júri, cuja composição será a seguinte:
6.1.1. - Presidente do Júri: Pe. Valente, Director Espiritual do Movimento dos Convívios Fraternos
6.1.2. - 3 juris autónomos, externos ao movimento
6.1.3. - 1 juri por cada diocese independentemente do número de grupos que tenha em sua representação
6.2. - Serão anunciados:
6.2.1. - os 3 primeiros classificados
6.2.2. - a melhor música
6.2.3. - a melhor letra
6.2.4. - a melhor coreografia
6.3. - Os votos serão atribuídos numa escala de 1 (mínimo) a 5 (máximo)
6.4. - Serão vencedores em cada categoria os temas que consigam a mais alta soma de pontuações
6.5. - Podem existir classificações ex-aequo

7. - Notas Finais
7.1. - Qualquer pormenor omisso ao presente regulamento será analisado pela organização, que se pronunciará segundo o que concluir ser melhor para a boa realização da Festa.
7.2. - No dia 5 de Setembro, pelas 13.00h a Organização reunirá com representantes dos Grupos participantes, no sentido de efectuar a escala da actuação.

2008/08/31

Congresso CF 2008

Boa Tarde,

porque há sempre o risco de haver pessoas distraídas coloco aqui o Programa do Congresso do Movimento dos Convívios Fraternos que se vai realizar em Fátima, entre 11 e 13 de Setembro.

Esta é uma importante oportunidade de debater e discutir alguns aspectos que no 1º Congresso apenas foram aflorados sem que pudessem ser adequadamente aprofundados.

Fica o desafio a todos mas particularmente aos que têm mais responsabilidades - para que apareçam e dêem o seu contributo.

Programa
Quinta-Feira, 11 de Setembro
09:30 - Acolhimento aos congressistas;
11:00 - Abertura;
12:00 - Conferência: “Os Convívios Fraternos como resposta à Pastoral Juvenil e da Família” - D. António Rafael, bispo Emérito de Bragança-Miranda;
13:00 - Almoço;
14:30 - Reflexão de grupos;
15:30 - Plenário;
16:00 - Conferência: “Novos desafios à Evangelização dos jovens de hoje” - D. Manuel Clemente, bispo do Porto;
17:00 - Reflexão de grupos;
18:00 - Plenário;
19:00 - Eucaristia;
20:00 - Jantar;
21:00 - Sarau Juvenil;
23:00 - Oração - Completas;
Sexta-Feira, 12 de Setembro
08:00 - Levantar;
08:30 - Pequeno-almoço;
09:00 - Oração - Laudes;
10:00 - Conferência: “Contributo dos Convívios Fraternos à Pastoral Vocacional” - D. António Francisco, bispo de Aveiro;
11:00 - Reflexão de grupos;
11:45 - Plenário;
12:15 - Celebração Mariana;
13:00 - Almoço;
14:30 - Painel de Partilha das Dioceses;
16:00 - Conferência: “A Missão dos Leigos na Igreja de hoje” - D. Ilídio, bispo de Viseu ;
17:00 - Reflexão de grupos;
18:00 - Plenário;
18:30 - Painel de Convidados;
19:15 - Eucaristia;
20:00 - Jantar;
21:00 - Sarau Juvenil;
23:00 - Oração - Completas;
Sábado, 13 de Setembro
08:00 - Levantar;
08:30 - Pequeno-almoço;
09:00 - Oração - Laudes;
10:00 - Conclusões;
12:00 - Eucaristia;

Bom trabalho!!

2007/10/19

dvd do festival está disponível

Independentemente das polémicas em torno da forma de classificação dos concorrentes no nosso festival de 2007, há, a meu ver, um dado que ressalta de tudo o que aconteceu: a enorme criatividade das dioceses que quiseram participar e que nos brindaram a todos com um conjunto de músicas, letras e interpretações que foram de altíssimo nível.

Previamente pedimos a alguns convivas que residem em Coimbra e que têm uma empresa que se dedica a estas coisas que, à semelhança de 2006, filmassem o festival (ou a festa, conforme se prefira). Ao aceitar esse convite, deram o seu tempo, a sua disponibilidade e o seu profissionalismo para que o Movimento dos Convívios Fraternos possam ter memória do que aconteceu: não apenas os intervenientes, não apenas os que lá estiveram, mas todos os que um dia fizemos um Convívio.

Estas pessoas trabalharam sem querer nada para si.

Não se limitaram, no entanto, a ter uma atitude passiva. Deram ideias e contributos. Deram, por exemplo, a ideia de, por cada dvd vendido uma parte do produto (mais precisamente 2,00€) da venda reverter a favor do Movimento dos Convívios Fraternos. Tiveram igualmente a ideia de incluir no preço os portes de correio, assegurando, desta forma, a entrega na casa de cada pessoa (conviva ou não) que queira desfrutar do dvd.

As formas de obter o dvd são as seguintes:

opção A)
- Transferir 11€ para o NIB:0035 0671 00013373430 29 (Território Nacional) ou para o IBAN PT50 0035 0671 00013373430 29 - SWIFT: CGDIPTPL (Fora de Portugal), enviando comprovativo de transferência, ou talão do multibanco digitalizado através de e-mail
Indicando sempre a morada para o envio do DVD (capa a cores, DVD printado).

opção B)
- Enviar um cheque de 11,00€, para a seguinte morada:
FILFOTODIGITAL
Centro Comercial GOLDEN - loja 33
Av. Sá Bandeira nº115
3004-515 COIMBRA
Portugal
Indicando sempre a morada para o envio do DVD (capa a cores, DVD printado).

QUALQUER ESCLARECIMENTO TELEFONAR PARA FILFOTODIGITAL - +351 239 838055

Quem estiver interessado já sabe o que tem a fazer...

2007/07/09

Regulamento da Festa/Sarau 2007 do Movimento dos Convívios Fraternos

1. Organização
1.1 – A Festa da Canção do Movimento dos Convívios Fraternos terá lugar no Centro Paulo VI, em Fátima, na noite de 8 de Setembro de 2007.
São objectivos desta Festa:
- incentivar a criação poético-musical como expressão da fé cristã, no cumprimento das orientações expressas no Concílio Vaticano II;
- promover a canção cristã como instrumento de evangelização;
- possibilitar o encontro dos jovens dos Convívios Fraternos num ambiente de são convívio e de partilha.


2. Participantes
2.1 - Os elementos dos grupos, incluindo autores da letra e da música, deverão ter, obrigatoriamente, realizado um Convívio Fraterno. Poderão, no entanto, integrar os Grupos elementos jovens que ainda não tenham passado por essa experiência.
2.2 – Cada Diocese poderá apresentar apenas um Grupo como Participação

3. Condições de participação
3.1 – As canções, como as músicas e letras concorrentes ao Festival terão de ser inéditas, de temática cristã e subordinadas ao tema “CAMINHAMOS AO ENCONTRO DO AMOR DO PAI”, tema do Encontro Nacional de 2007.
3.2 – O número de participantes em cada grupo deverá estar limitado a 15.
3.3 – O tempo de duração das canções não pode ultrapassar, na sua execução, o limite máximo de 4 minutos e o limite mínimo de 2 minutos e 30 segundos.
3.4 – O acompanhamento musical é da responsabilidade dos grupos a concurso. Não será permitido o uso de instrumentos que pelas suas características ou dimensões impliquem montagem, transporte especializado ou afinações complexas no local ou tenham que permanecer no palco durante a Festa.
3.5 – As músicas poderão ser coreografadas. No entanto o tempo da coreografia contará para o tempo da música e deverá esta ser integrada na execução da canção.
3.6 – Deverá ser entregue, de forma atempada, um original (letra e música e gravação) à Organização. Estes materiais poderão ser entregues via correio ou por e-mail (para a direcção
arturmmferreira@gmail.com e para ajalexandre@gmail.com)

4. Apresentação
4.1 – Os originais, deverão ser entregues ou enviados até dia 18 de Agosto de 2007.
4.2 – Os originais deverão incluir um exemplar dactilografado da letra da canção, em folha A4, com referência no canto superior direito aos respectivos autores da letra e da música.


5. Da Festa
5.1 – O material sonoro (amplificadores, colunas, microfones, etc) ficará a cargo da organização, pelo que os concorrentes estão impossibilitados de levar o material próprio.
5.2 – Os grupos concorrentes terão a possibilidade de testar o material entre as 9.00 e as 14.30h do dia 8 de Setembro de 2007, no Centro Paulo VI. Em caso de não comparência a este ensaio, a organização não se responsabiliza por qualquer tipo de problemas de som decorridos durante a Festa.

6. Da Votação
6.1 – Cada espectador receberá um boletim de voto, que deverá colocar dentro da caixa com a canção que seja a sua favorita até final do intervalo.
6.2 - Serão anunciados os 3 primeiros classificados.
6.3 - A organização atribuirá menções relativamente às restantes canções e coreografias.

7. Notas Finais
7.1 – Qualquer pormenor omisso ao presente regulamento será analisado pela organização, que se pronunciará segundo o que concluir ser melhor para a boa realização da Festa.
7.2 – No dia 8 de Setembro, pelas 15.00h a Organização reunirá com representantes dos Grupos participantes, no sentido de efectuar a escala da actuação.

2007/02/21

Há um tempo para tudo

"Tudo tem o seu tempo determinado, e há um tempo para tudo.
Há um tempo de nascer, e um tempo de morrer;
Um tempo de plantar, e um tempo de arrancar o que se plantou;
Há um tempo de matar, e um tempo de curar;
Um tempo de derrubar, e um tempo de edificar;
Há Um tempo de chorar, e um tempo de rir;
Um tempo de prantear, e um tempo de dançar;
Há Um tempo de espalhar pedras, e um tempo de ajuntar pedras;
Um tempo de abraçar, e um tempo de afastar-se de abraçar;
Há Um tempo de buscar, e um tempo de perder;
Um tempo de guardar, e um tempo de lançar fora;
Há um tempo de rasgar, e um tempo de coser;
Um tempo de estar calado, e um tempo de falar;
Há um tempo de amar, e um tempo de odiar;
Um tempo de guerra, e um tempo de paz." (Ecl. 3, 1-8)

O papel deste blog deve, cada vez mais, ser o de nos obrigar a reflectir sobre que Movimento queremos ser e ter daqui a 20 anos.

Para isso mais do que focar-se no Convívio-Fraterno propriamente dito, deve focar-se no 4º Dia, na forma como, após esses 3 encontros transfomadores (connosco, com Deus e com os Irmãos) vamos continuar a preservar.

E porquê?

Porque o Convívio-Fraterno é uma "fórmula" que resulta. Com maiores ou menores variações (embora haja que ter cuidados para não estarmos a descaracterizar de tal forma esse encontro que alguém de Braga ou de Aveiro não o reconhecesse como tal se fosse a Beja, a Setúbal ou ao Algarve, e vice-versa) resulta e transforma de forma indelével aqueles que passam por essa experiência.

Onde tradicionalmente somos menos fortes é na ajuda (ou na falta dela) que recebemos (e damos) no 4º dia.

E esta é a parte difícil da questão.

Porquê?

Devido às características de "baixo-contraste" que o Movimento tem. Sem estruturas formais, lançando os convivas nas paróquias e noutros movimentos, apenas com alguns encontros ad-hoc pelo meio (que terminam na melhor das hipóteses, ao fim de 1 ano) ditam que cada um de nós fique (passado algum tempo) com a sensação de ter, de alguma forma, sido lançado às feras.
Sensação essa aumentada após a participação em equipas onde ficamos então com a sensação de lanças às feras outras pessoas.

E isto é que tem que mudar. Para mudar é necessário pensar criativamente e olhar para a realidade com um olhar crítico e não conformista. Não podemos conformar-nos nem ignorar a realidade que desfila perante os nossos olhos.

Não podemos olhar para as nossas igrejas cada vez mais vazias de jovens e crianças e nada fazer.
Não podemos olhar para as missas do "crisma" cheias de gente, que depois nunca mais encontramos, nme em paróquias, nem em movimentos, nem em lado nenhum.
Não podemos ignorar que os jovens de hoje necessitam de respostas diferentes, em suportes diferentes.
Não podemos ignorar os sucessivos censos que sucessivamente constatam uma diminuição progressiva da afluência de pessoas às igrejas, às eucaristias dominicais, à Comunhão... ano após ano.
Não podemos esconder a cabeça debaixo da areia e pensar que, por exemplo, todos os que votaram "Não" eram católicos ou cristãos e todos os que votaram "Sim" eram não católicos e pagãos - a realidade é bem mais dura:
- o Sim ganhou por causa dos Jovens;
- o Sim ganhou por causa dos votos de muitos Jovens Cristãos.
Não podemos ignorar....

Mas mais do que isso, não ignorando não devemos escudar-nos no argumento de que estamos a semear e que alguém há-de colher. Não devemos escusar-nos e limpar as nossas consciências dizendo (eventualmente com toda a justiça) que apenas Deus vê realmente o coração dos Homens.

Os números estão aí, os factos e a dura realidade estão aí. Ignorá-los ou querer ignorá-los é adiar a procura de uma solução que é tanto mais necessária quanto vital. A nossa responsabilidade é proporcional à consciência que tenhamos destes factos. A nossa responsabilidade deve ser olhada como um talento... que temos que gerir... e acerca do qual nos serão pedidas contas, sejamos nós homens ou mulheres, leigos ou sacerdotes.

2007/01/23

Mais Referendos

Volto ao tema dos referendos.

Não sou extremista. Não gosto de extremismos. Pessoalmente considero os extremismos como a arma daqueles que não conseguem transmitir de forma equilibrada os seus pontos de vista.

Da mesma forma, não assumo derrotismos à partida. Nem falsos optimismos.


No que toca à questão da IVG, sei que o "Sim" provavelmente acabará um dia por ganhar: se não for agora, ao 2º referendo, há-de ser ao 3º, ao 5º, ao 10º ou ao centésimo.

É como no Futebol: qualquer equipa (por mais forte que seja) pode um dia perder como outra equipa (por mais fraca que seja). O tempo e a estatística se encarregarão de que assim seja.

Considero que o que há a fazer agora é olhar em frente, para a frente, mais para a frente: o "SIM" ganha... e depois? O que vamos fazer, nós que consideramos essa opção um erro?

Vivendo em democracia, temos que dar provas de maturidade e aceitar esse resultado imposto por uma maioria, quiçá pouco esclarecida, quiça pouco informada, quiçá pouco sensibilizada para o verdadeiro alcance dessa decisão...

A aceitação do resultado não quer no entanto dizer que nos conformemos, haverá que desenvolver formas de continuar a lutar pela abolição de uma lei que é injusta e absurda.

O facto de ponderarmos sequer a hipótese de que ela venha a ser aprovada é sinal de uma Sociedade profundamente doente: uma Sociedade esquizofrénica e demente, que olha com total passividade para o drama do decréscimo populacional e que pondera acerca de uma lei que contribui para que essa situação se agrave; um Estado que atravessa uma crise de Finanças Públicas e de Segurança Social que podem por em causa os seus próprios alicerces e que cria uma lei que dá o poder a um segmento da sua população de poder decidir impunemente acerca da vida de outrém; um País com uma enorme franja do seu território em desertificação que pondera acerca da criação de uma lei que mais não faz do que acentuar esta e outras situações.


O verdadeiro debate deveria ser: o que fazer para que o Interior do país não morra? O que fazer para que no Interior do País não se morra à espera de tratamento médico depois de um acidente? O que fazer para incentivar os jovens a ter filhos? Que leis temos que criar para proteger a família?

Há pois que olhar em frente, mais para a frente: em França, 30 anos depois das primeiras leis pró-aborto, as pessoas pedem, nas ruas, o retrocesso (?) da Lei: escolas vazias e fechadas, envelhecimento da população, crise profunda da Segurança Social - são motivos egoístas os que em última análise motivam esses protestos, mas o que é certo é que eles acontecem.

Li há pouco tempo um Livro que se chama "Os Filhos dos Homens", recentemente adaptado para o cinema, que retrata uma situação num futuro próximo em que uma doença desconhecida retira à Humanidade a capacidade de se reproduzir. É uma história que levanta muitas reflexões, acerca de muita coisa: em última análise aponta um caminho inesperado para a Extinção da Raça Humana - não um cataclismo inesperado, não um Holocausto Atómico, mas da perda da capacidade reprodutora.


Contei ao meu filho mias velho (tem 6 anos) como era a escola no meu tempo, o que fazíamos, como brincávamos... ele apesar dos 40 canais de televisão, da Playstation, do futebol e da natação ouviu-me e disse: "Eh pai! A tua escola era bué da fixe! gostava que a minha fosse assim como a tua, com muitos meninos!"

Mas que fazer?
De repente penso que os Cristãos e todos os que connosco partilham esta convicção de defesa incondicional pela vida, deveriam passar a assinalar o dia em que o Povo referende o Aborto, com manifestações pela vida (seja este 11 de Fevereiro, ou outro "11 de Fevereiro" qualquer): uma grande manifestação pela vida, independente de Raça, Credo, Cor Política. Uma marcha pelas ruas das cidades e vilas. Uma vela à janela de cada lar. Por cada escola que feche, por cada aldeia abandonada e morta, uma vela num local qualquer.

Depois acho que deveríamos criar um sistema de rating: definir boas práticas, criar um "Manual da Vida". As Instituições de Saúde, de Ensino, etc. que o seguissem receberiam pontos. Quanto mais pontos tivessem mais aconselhadas seriam. Afinal de contas, apesar da Lei, também nós devemos poder escolher.

Porque isto está tudo interligado...

Não acredito em radicalismos, nem vou pelas ameaças: Jesus Cristo propôs-se a todos os que O quiseram seguir pelo Amor.

Acredito que continua a fazê-lo hoje em dia com cada um de nós.
Alguns cristãos defendem a excomunhão dos que votem pelo "SIM"; outros que votam "SIM" dizem que tratamos as mulheres como assassinas... e assim seguiremos até ao Dia do Juízo Final.

E, nós, cristãos, enquanto esgrimimos argumentos que mais não fazem do que alimentar o nosso orgulho, perdemos o cerne da questão: "Que faria Jesus Cristo? Votaria? Calaria? Falaria? Condenaria? Ajudaria?"

Diria "Quem nao tem pecados atire a primeira pedra!"?

Exerceria violência, como fez com os Vendilhões do Templo?

Diria "Se tivésseis fé do tamanho de um grão de mostarda (ou de um embrião com dois dias de vida) poderieis mover montanhas"?

No futuro, as gerações olharão para este período e verão uma Sociedade doente, sem valores, que por não acreditar em nada, acredita em tudo, supersticiosa, ingénua, cega, tal como olhamos hoje para a Idade Média, as Cruzadas, as Fogueiras da Inquisição... reconhecemos os erros e achamos incrível como foi possível que isso pudesse acontecer...?

Estes senhores que agora defendem o Aborto deveriam aprender connosco, com os nosso erros, para que não sejam, no futuro, julgados, da mesma forma que agora nos julgam a nós.

2007/01/08

Referendos

Tenho vivido e seguido mais ou menos de perto o debate que atravessa a Sociedade Portuguesa durante os últimos meses e que culminará (?) no próximo dia 11 de Fevereiro num referendo.
Se eu quiser ser políticamente correcto chamo-lhe o Referendo sobre a Interrupção Voluntária da Gravidez (ou IVG para os mais "modernos"). Mas como este não é o local para isso chamar-lhe-ei mesmo Referendo ao Aborto.

E aqui (Referendo ao Aborto) há duas Palavras que, ao longo dos últimos meses me têm suscitado algumas reflexões que gostaria de partilhar neste espaço.

A primeira é "Referendo". A Instituição do Referendo.

Entendam-me ela (como tantas outras invenções) não é intrinsecamente má: o uso que se faz dela é que pode ser ou não.

Ou seja: fazem-se referendos à Constituição Europeia e ao Aborto e a muitas outras coisas.

No caso da União Europeia, como os franceses e os holandeses trocaram as voltas aos politicos resolveu-se parar e esperar... tempos mais propícios.
No caso do Aborto (e escrevo com letra maiúscula por causa da enormidade do que está em jogo - mas já lá chegarei...) há uns anos o pessoal votou contra e como alguns não ficaram contentes volta-se agora à carga.

E será assim até que o resultado seja o que inicialmente se pretendia.


E poderiamos perguntar:
- Se o "sim" ganhar, tal como o "não" ganhou (entenda-se, com menos de 50% dos votos dos portugueses) isso implica que daqui a uns anos podemos voltar a fazer um referendo para abolir isso de vez?
- ou o "jogo" só para quando a equipa de lá ficar em vantagem? Alguém sabe?
- E se o "não" ganhar com mais de 50% dos votos esta questão fica definitivamente arrumada, ou daqui a uns anos voltamos a gastar dinheiro (sim, todos nós...) noutra campanha,... e noutra,... e noutra... até à exaustão?

Parece-me que esta Instituição, afinal de contas, se calhar presta um mau serviço à democracia. Mas esta é outra discussão que nos podia levar igualmente longe.

A segunda palavra é Aborto e nesta altura não resisto a transcrever aqui uma passagem de um livro que estou a ler:

"Na realidade a própria mãe podia desempenhar o papel de eugenista, mergulhando o bebé em vinho, o que, toda a gente sabia, constituía o teste mais seguro para a detecção da epilepsia. No fim de contas, qual era o progenitor espartano digno desse nome que desejava criar um filho que desmaiasse de repente devido a um ataque? Antes a perda prematura que o risco de tal desgraça. Uma fissura junto à estrada, o Apothetae, ou "Recinto dos Despejos", que se adentrava pelas montanhas em direcção à Messénia, proporcionava o cenário ideal para o infanticídio. Aí, onde já não podiam envergonhar a cidade que os alimentara, os fracos e os deformados eram arremessados para as profundezas do abismo e condenados ao esquecimento eterno e tenebroso (...) Para a criança espartana indesejável, não havia esperança de salvação"

e continua...


O livro chama-se "Fogo Persa", foi escrito por um senhor chamado Tom Holland e é um trabalho de investigação notável que é contado em jeito de história de algumas das civilizações que mais marcaram o mundo: a Persa, a Espartana, e a Grega.

O texto que transcrevi refere-se aos Espartanos e a uma prática que tinha lugar há mais de 2.500 anos, levada a cabo por uma das Civilizações mais inflexíveis e opressoras que o Ocidente já conheceu. Está na página 97 embora eu aconselhe o livro todo.

Mas esta passagem em si levou-me a juntar às minhas reflexões sobre o Aborto, algumas mais:
- Se se referenda o Aborto, porque não referendar também a Pena de Morte, ou o Genocídio? - Como seremos vistos pelas futuras gerações, caso isto passe? Deitar-nos-ão o olhar que agora deitamos aos Espartanos, aos Cruzados, aos Inquisidores?
- Não faria mais sentido estar a debater políticas de incentivo à natalidade, de apoio efectivo a crianças vítimas de abuso, a seres humanos que não se podem defender?
- Não faria mais sentido (a bem da Segurança Social e dos Impostos, se não fosse por mais nada...) debater a Vida em vez de debater a Morte?
- Diz-se que o Aborto é uma questão de consciência. no entanto correm rumores de que um médico não pode recusar-se a fazer um aborto - a questão então é: é uma questão de consciência apenas para alguns?

Porque me lembrei de falar nisto agora?

Porque fui pai há pouco tempo e custa-me a crer que alguém que olhe bem fundo nos olhos límpidos de um recém-nascido, possa apoiar uma causa como a que se propõe agora, ou mesmo ficar indiferente.


Nós pecamos de muitas formas: por actos e por omissões.

Esta é uma das alturas em que temos, de facto, a possibilidade de não omitir, de não nos encolhermos
É uma oportunidade de fazer a diferença: e (não tenham dúvidas) fá-la-emos seja qual for a atitude que tomemos
- quer não votemos, e fiquemos quietos a achar que não tem nada a ver connosco e a perguntar que podemos fazer, de mãos a abanar;
- quer votemos, e esclareçamos consciências e levemos mais a votar e levemos a que outras pessoas despertem antes que seja demasiado tarde.

Esta é uma oportunidade que temos de demonstrar que o 4º Dia do nosso Convívio Fraterno é de facto a consequência lógica de um Rosto que nos transformou.